Acessibilidade: direito e dever de todos
Pouco se ouve sobre a acessibilidade nas igrejas, e mais que isso, percebe-se que esta não é uma preocupação primária no projeto de construção ou reforma de um templo.

Precisamos ser desafiados à empatia e ação em favor das pessoas que, de maneira temporária ou definitiva, apresentam algum tipo de dificuldade de locomoção e acesso às igrejas.

A acessibilidade tem sido uma preocupação constante nas últimas décadas. Atualmente estão em andamento obras e serviços de adequação do espaço urbano e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda população, e podemos ver mudanças na informática com programas dos mais variados para deficientes visuais, deficientes motores ou com problemas de fala,e nas igrejas a acessbilidade é fundamental para a pessoa com deficiência se sentir valorizada.
Para as pessoas com deficiência motora deve-se oferecer todas as condições necessárias para que ela possa ter seu acesso facilitado ao edifício, a começar com uma vaga própria no estacionamento para deficientes, com a devida sinalização indicando que aquela é uma vaga preferencial. As rampas ou elevadores são opções que a igreja tem para facilitar o acesso ao edifício para o deficiente. As rampas necessitam de uma inclinação adequada para que um cadeirante possa se locomover na rampa sem ajuda de outras pessoas (inclinação de 8%). Dentro do auditório o cadeirante necessita de um espaço destinado para ele, nunca deve ser deixado na circulação. O sanitário para o deficiente é outro item importante, suas dimensões terão que ser específicas para facilitar o seu uso (consultar a NBR 9050). A pessoa obesa precisa ter seu local já adequado no qual a cadeira e o espaço são dimensionados para ela. Na verdade para cada indivíduo citado existe uma especificação que deve ser seguida e aplicada.

Algumas igrejas tem usado como desculpa de que não existe cadeirante ou portador de alguma deficiência frequentando a igreja para dizer que não se faz necessário um investimento tão específico e só começam a pensar no assunto quando aparece algum cadeirante. De fato falta um pouco mais de esclarecimento sobre as vantagens da acessibilidade. E não se pode pensar somente no cadeirante, pense na gestante, no idoso ou em alguém com problemas de articulação que tem dificuldade de locomoção diante de uma escada. O fato dessas pessoas não conseguirem subir uma escada pode significar uma desmotivação para ir à igreja, se no local não existir outra forma de acessso. A acessibilidade deve fazer parte do cotidiano das igrejas.

Regulamentada através de um decreto em 2004, a Lei nº 10098 ou Lei de Acessibilidade, como também é conhecida, prioriza o atendimento às necessidades específicas de pessoas com deficiência no que se referem a projetos de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e informação, de transporte coletivo, bem como a execução de qualquer tipo de obra, quando tenham destinação pública ou coletiva.Na maioria das cidades brasileiras já está sendo exigido a garantia da acessibilidade nos edifícios públicos. A fiscalização começa na aprovação do projeto arquitetônico junto aos órgãos públicos, quando se trata de uma edificação nova. Na sequência os responsáveis pela emissão do visto de conclusão de obra vão ao local para comprovar se foi executado o que estava no projeto.